Versões

Versões

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Homem admirável! Hoje, 05/12/2013, dia muito triste.

Política - Invicto



Símbolo da luta contra o apartheid, Nelson Mandela tornou-se o próprio rosto da superação ao não seguir o caminho da retaliação e pavimentar a conciliação entre brancos e negros na África do Sul - mesmo depois de 27 anos de cárcere

por Pedro Procópio
Experimente digitar "Nelson Mandela" no campo de busca de uma loja virtual. O resultado serão livros com títulos repletos das palavras "luta", "revolução", "liderança", "lições", "longo caminho", "liberdade" e "coragem". Enfim, se há um rosto para sintetizar a "superação", ele pertence a esse sul-africano de 93 anos, presidente de seu país de 1994 a 1999 e símbolo da luta contra o apartheid, o odioso regime de segregação racial, oficialmente em vigência na África do Sul entre 1948 e 1994. 

O jovem Mandela nasceu protegido no seio da corte da tribo Tembu, 30 anos antes da institucionalização do apartheid. Ainda em 1938, Mandela começou a estudar Direito na Universidade de Fort Hare, frequentada por alunos de famílias aristocráticas negras ou com boas notas nas escolas missionárias. Mas foi expulso após desentendimentos com o reitor. O rei dos Tembu, furioso, decidiu arranjar um casamento para ele e para um primo. Os dois ficaram inconformados e fugiram para Johanesburgo. Foi somente então que começou a se delinear o Mandela que conhecemos. 

Na maior cidade do país, foi vigia noturno em uma mina de carvão e morou em barracos sem luz. Enquanto isso, retomou em 1942 os estudos na Universidade de Witwatersrand, onde teve de ouvir de um professor que negros não eram bons o suficiente para se tornar advogados. Não só Mandela exerceu a profissão como montou o primeiro escritório negro de advocacia do país, com seu amigo Oliver Tambo (1917-1993), que, durante o cárcere de Mandela, comandaria o Congresso Nacional Africano (CNA), partido fundado em 1912 para defender o direito de negros. Nos tribunais, ao ver que a balança da justiça pendia para os brancos, foi solidificando uma inevitável consciência política. 

Em 1944, afiliou-se ao CNA. E, passados 4 anos, viu o apartheid ser instalado. A essa altura, já ascendia nos escalões do partido. A princípio, defendia a não-violência, na linha da desobediência civil de Gandhi. Mas em 1961, diante do incremento da repressão dos brancos e do banimento do CNA, fundou a Lança da Nação, braço guerrilheiro do partido. Foi decretado terrorista pelo governo. Entrou na prisão aos 44, em 1962, e saiu aos 71, em 1990. 

A experiência em lugares como a Ilha Robben, o presídio que atualmente é atração turística na costa da Cidade do Cabo onde permaneceu entre 1964 e 1982, modelou o homem como o conhecemos hoje. Sintoma desse processo é a descrição do líder na juventude feita por Oliver Tambo. Ele via no companheiro um sujeito "entusiasmado, emotivo, sensível, facilmente melindrado ao rancor e à retaliação pelo insulto e pela condescendência". Mais contrário à figura pública sorridente, equilibrada e reconciliadora, impossível.
Domando o rancor 
Os impulsos da juventude podem ter permanecido de alguma maneira, mas Nelson Mandela certamente soube contê-los e construir a personalidade ponderada a que o mundo se acostumou. Ele teve de aprender, no interior de sua cela na Ilha Robben, a controlar-se diante de guardas que o consideravam membro de uma raça inferior e partiam para o terrorismo psicológico, com ameaças de espancamento ou mesmo de morte. Teve muito tempo para refletir sobre política e questões existenciais. E desenvolveu seu talento de liderança entre os demais presos. Precisava, portanto, constantemente negociar com os agentes da penitenciária. Aprendeu africâner, a língua do inimigo derivada do holandês, e o rúgbi, esporte dos brancos. Isso fez muitos presos torcerem o nariz, mas angariou a simpatia dos carcereiros. 

Em 1969, com 7 anos de experiência no xadrez, Nelson Mandela ficou sabendo da morte do filho mais velho, Thembi, num acidente de automóvel. No dia seguinte, mesmo devastado, já estava trabalhando na pedreira de calcário para demonstrar a todos que sua perda pessoal não o imobilizara inteiramente (por coincidência, em 2010, sua bisneta de 13 anos também morreu nessas circunstâncias, após voltar da festa de abertura da Copa do Mundo; dessa vez, Mandela faltou à primeira partida do torneio, mas apareceu na final). No cárcere, virou um sujeito metódico: fazia uma cópia de cada carta que mandava e registrava as anotações do envio e da chegada de suas correspondências.
Estabelecendo o diálogo 
Enquanto esteve preso, o planeta foi tomando consciência de que a segregação racial sul-africana não poderia mais ser tolerada. Votos de condenação na ONU se tornaram recorrentes, bem como campanhas de boicotes a produtos da África do Sul. Em 1985, quando a cruzada antiapartheid interna e internacionalmente imantava as opiniões e havia chances reais de uma guerra civil, Nelson Mandela iniciou um diálogo secreto com o governo branco. Era um passo perigoso, pois contrariava seu partido e suas próprias convicções ao longo de décadas. Mandela enfrentou solitariamente os riscos de ficar para a história como o traidor do movimento e viu que era preciso fazer concessões para resolver o impasse. 

Nos últimos respiros do apartheid, o Mandela que soube superar as adversidades da prisão torna-se o Mandela que faz seu próprio país passar por cima do ódio e do ressentimento estocados em décadas de segregação racial. Dentro de seu partido, o CNA, havia adeptos da retaliação contra os brancos opressores. Entre eles, destacava-se Chris Hani, chefe do braço armado do partido e 24 anos mais novo.

A ideia de uma guerra civil sobrevoava o país, e a direita branca já tinha entrado numa corrida armamentista para reagir a uma possível retaliação. Para os negros que desejavam vingança, o próprio Mandela parecia perigosamente conservador. Hani era o futuro, Mandela era o passado. 

A profecia, contudo, não se concretizou - Hani foi assassinado em 1993 por um imigrante polonês. A linha que prevaleceu foi a da superação das diferenças. Em seu discurso na TV sobre a morte de Hani, Mandela fez questão de lembrar que foi uma mulher branca que anotou a placa do carro do assassino e possibilitou sua captura. 

Entre as atitudes cicatrizantes do líder figuraram elogios a carcereiros, pedidos para enterrar o passado traumático da nação e até uma visita à viúva de Hendrik Verwoerd (1901-1966), o político que arquitetou o apartheid. Em 1993, Nelson Mandela e o último presidente do regime, Frederik Willem de Klerk, dividiriam o Nobel da Paz. "Estou aqui (...) não para lutar contra a África do Sul como um país ou contra qualquer um de seus povos, mas para opor-me a um sistema inumano", discursou.

O gesto simbólico 

Em 1995, a África do Sul sediava a 3a edição da Copa do Mundo de Rúgbi. Nelson Mandela ocupava a presidência do país havia um ano. Seguindo os passos do discurso conciliador da TV, chamou brancos e negros para compor seu governo. E foi um esporte apreciado pelos brancos, o rúgbi, que serviu de elo com os antigos marginalizados, que preferiam o futebol ou torcer contra qualquer adversário do Springboks, a equipe nacional banida de competições internacionais na época do apartheid. 

Mandela desencadeou uma campanha pelo time como último capítulo da conciliação. Fez amizade com o capitão François Pienaar e vestiu o uniforme do Springboks no estádio. A seleção, quase inteiramente branca (a exceção era Chester Williams), venceu a favorita Nova Zelândia e levou o título. Tudo isso foi contado pelo cinema, com as romanceadas de praxe, no filme Invictus (2009), com Morgan Freeman no papel do presidente. 

Símbolo do sacrifício e da superação, mas, afinal, humano como todos nós, Nelson Mandela não é perfeito. "Nunca fui santo", declarou no livro Conversas que Tive Comigo (2010), coletânea de cartas, entrevistas e trechos de diários prefaciada pelo presidente americano Barack Obama. O jornalista americano Richard Stengel, que o ajudou a escrever a autobiografia Longo Caminho para a Liberdade (1995), confirma que ele gosta de ser paparicado, conta moedas na hora de dar gorjeta e não lembra o nome dos seguranças. Se levarmos em consideração que muitos dos santos tiveram biografias nada santas, os deslizes do mito ficam pequenos como a antiga cela da Ilha Robben. 


"Quando você fala com alguém em uma língua que ele entende, a mensagem vai para a cabeça dele. Se falar em sua língua-mãe, ela vai para seu coração." 
Sobre aprender africâner para negociar com brancos

Antes do mito 
Seria tentador contar a trajetória do grande protótipo de santo ou herói do nosso tempo de uma maneira linear, começando com uma infância miserável, passando por uma série de provações aparentemente intransponíveis até chegar a um triunfo final. Nem tudo na vida do mito foi, porém, tão retilíneo assim. Para começar, esqueça a história de extrema pobreza infantil. Mandela, que nasceu 30 anos antes da institucionalização do apartheid, tem sangue azul. Filho de um conselheiro de corte da tribo Tembu morto de tuberculose, ele foi criado pelo rei Jongintaba Dalindyebo para suceder o pai na corte. É fato que a vida para os negros da África do Sul já era difícil antes de 1948. Mas havia na hierarquia social do país gente em piores condições do que o menino Mandela. Imerso no ambiente da corte, aliás, teve pouquíssimo contato cotidiano com descendentes de europeus na infância - consta que só apertou a mão de um homem branco pela primeira vez quando foi para o internato, em 1937. Insulado, sentiu menos na pele o preconceito que devastou a autoestima da sua geração. 


"Se você quer fazer as pazes com seu inimigo, você precisa trabalhar com ele. Então ele se tornará seu parceiro." 
Sobre a reconciliação com seus oponentes

A Lista (Oswaldo Montenegro)

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assovia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?



Vinícius de Moraes!!! Para todos meus amigos!



Autor: 
 
Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase: ' Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!' Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadela na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas? Sim??? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu. . . Sabe por que? Porque... Ser seu amigo já é um pedaço dele!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Flor do Lácio

 "Inculta e bela" [...] e pelo jeito, nociva! Rs

Não pedir desculpas a uma mulher pode levá-la a um infarto

Uma pesquisa da Escola Médica da Universidade de Massachusetts apontou que ouvir um pedido de desculpas faz bem para a saúde feminina. Quando um homem trata a mulher de forma rude, a expectativa por um pedido de perdão aumenta a pressão arterial feminina que pode aumentar o risco de um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral. Detalhe: se a mulher ouve um “desculpe-me” no tempo certo (e rápido, claro!), sua pressão arterial pode voltar ao normal de 20 por cento mais rápido.
Por outro lado, a pulsação dos homens leva mais tempo para se recuperar após um pedido de desculpas – o que sugere que os homens ficam irritados quando há admissão de culpa.
O estudo mediu a pressão arterial de 29 homens e 59 mulheres durante um experimento. Eles foram convidados, individualmente, a realizarem um teste de matemática. Informados de que tinham cinco minutos para concluir a tarefa, foram interrompidos três vezes, cobrando agilidade na conclusão. Ao final, os pesquisadores disseram a todos a frase: “Você obviamente não é bom o suficiente”. Dois minutos depois, os pesquisadores se desculparam com metade dos homens e mulheres. As mulheres que receberam um pedido de desculpas se acalmaram mais rápido, enquanto os homens demoraram um tempo maior para relaxarem.

Então Vamos lá... Pedindo desculpas!!!! ;)

Protesto!!!


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

BASTA! Diga Não a Violência Contra a Mulher



"A violência contra a mulher envolve os atos de violência contra as mulheres que se manifestam por meio das relações assimétricas entre homens e mulheres, envolvendo por vezes discriminação e preconceito."



“Preciosa”

Adorei esse filme.
Filme alternativo para quem gosta de cinema...

Pessoalmente, acho que todos deveriam assistir!




segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Ilustração

No Blog do Lucas: http://lucasmeloilustra.blogspot.com.br/2012/03/sobre-trocar-lampadas.html

Sobre Trocar Lâmpadas

E aí gente, beleza?
Hoje esse post vai ter o passo a passo de um desenho que eu gostei bastante do resultado, a ideia era uma moça trocando a lampada porem se equilibrando na quina de uma cadeira.
Aqui começa o esboço e o inicio da arte-final:





Aqui dá pra ver que eu mudei um pouco a arte-final, quis um traço um pouco mais solto e com mais contraste, também começei a definir o corpo e roupas:


O início da colorização é apenas uma definição das cores que irei usar, tanto na personagem quanto nos outros objetos:


Aqui eu defini um padrão de azuleijos para o fundo, e como eu queria que ficasse o efeito no final:

Tirei o efeito para poder trabalhar nele depois, adicionei umas sombras pra mostrar que ela está perto da parede, depois comecei a sombrear ela e os objetos:


Coloquei o efeito no fundo, aproveitei e adicionei um reflexo no chão, pra dar a idéia de piso:
Pra finalizar eu clareei o reflexo e adicionei uns tons mais avermelhados na pele dela pra um efeito mais realista:

Obrigado a todos que vieram aqui e deram uma olhada, muito obrigado também aos que curtem e compartilham! Até mais o/

Bem dura e realista as ideias desse psicanalista...

Encontro de duas pessoas
"As mulheres podem se sentir-se atraídas por um homem até mesmo sem tê-lo ouvido falar. 
E não são poucos os casos de amor que começaram por correspondência...
A+ A-
Em um encontro de duas pessoas que se tornaram amantes é pouco provável que um clarão rasgue o ar, que os clarins toquem na cabeça dos eleitos, ou que qualquer outro sinal celeste lhes dê a certeza de que finalmente ali está o ser gêmeo tão esperado.

O que costuma acontecer é bem mais terreno, e prático. Alertados por uma atração que de imediato não saberíamos sequer justificar, começamos a rodear a pessoa que nos atrai.
O que levou a preferir aquele a tantos outros? Uma soma muito complexa de fatores. As mulheres podem se sentir-se atraídas por um homem até mesmo sem tê-lo ouvido falar. E não são poucos os casos de amor que começaram por correspondência, nos dias atuais perfis que podem ser ou não a característica da pessoa.
Isso poderia nos conduzir à conclusão errada de que o pensamento não é fundamental, ou de que o físico supérfluo. O que acontece é que para cada pessoa existe uma diferente chave de atração, espécie de centelha que desencadeia o processo.
A inteligência pode ser fator preponderante para uma mulher, enquanto outra se sente atraída pelo dinamismo, outra se liga no senso de humor, e outra ainda, só se interessa pelo físico.
A chave funciona como um tiro do juiz em uma competição. Mas a partir daí, outros fatores entram em campo completando um vasto quadro de exigências. E justamente a partir daí, deveria entrar em campo também a primeira, grande dose de atenção.
Atenção para verificar se a primeira impressão estava certa, e se aquele é, realmente, a pessoa cujo arcabouço principal interessa. Atenção e sinceridade para não forçar um julgamento, para não fazê-lo servir meio à força, apenas porque está tanto querendo que sirva.
Atenção, carinhosa, para aqueles elementos todos que aos poucos se revelam e que, mesmo parecendo às vezes desimportantes para as mulheres, não são para os homens, e constituem um conjunto da sua personalidade.
Atenção para ver se algum elemento imprevisto não se torna de repente mais importante que o dote positivo inicial. Por exemplo: ele é inteligente... Mas egoísta demais; ou, ele é lindíssimo... Mas a única mulher que considera realmente maravilhosa é a própria mãe; ou, ele tem um raro senso de humor... Pena que use sempre contra os outros.
Apesar da chave de atração ter funcionado, podemos às vezes encontrar além da porta, algo que não interessa.
Atenção também para não prestar atenção demais. Correríamos o risco de transformar os primeiros embates num inquérito policial, perdendo o melhor da fase do encontro, que são o encantamento, a surpresa, a esperança meio cega do acerto.
Existe algo mais complementar que os dois sexos? Parece improvável. Entretanto, esta complementaridade que deveria ser a base da harmonia do casal foi transformada, por nossa estrutura social, em antagonismo.
Divididos os papéis sexuais de forma tão injusta, rompeu-se a unidade. Coube à mulher ser passiva e submissa, enquanto o homem a dominava através de uma posse que facilmente se transforma em violência.
Estabelecendo de antemão o que cada um haveria de sentir, e não havendo lugar algum para a mulher depositar sua agressividade natural, ela acabou lançando-a no amor.
É lá que vamos encontrá-la tão frequentemente, voltada para o amado sob o disfarce da possessão, do ciúme, do “domínio amoroso”, ou voltada contra si mesma, no quadro clássico da amante sofredora, doce Amélia que tudo suporta, fustigando-se com a própria paixão.
Por outro lado, os homens, obrigados a reforçar o papel biológico em que penetram na integridade física da mulher, e a engravidam com seu esperma, passaram a penetrar também na sua integridade mental e a impor-lhe a procriação das suas idéias."

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínicos